quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Mãe, Papai Noel existe?


   Nossa! Lembro-me silabadamente desta frase, dita por minha filha aos 7 anos de idade, as escondidas no banheiro de casa. Ela não queria que o irmão menor ouvisse nossa conversa, mas diante das contradições vislumbradas na escola chegou a tal constatação e resolveu então me colocar em xeque.

    Confesso que mantive a tradição de colocar o sapatinho aos pés da árvore, capim para a rena e bolachas com leite para o bom velhinho. Mas meus filhos questionavam inconformados em saber por onde um velho obeso poderia passar e, se a porta ficasse aberta ladrões poderiam adentrar nossa casa e roubar os presentes mesmo antes de abrirmos.

   Uma geração diferenciada, com um raciocínio lógico e matemático bem mais desenvolvido que os da minha geração. Eu mesma ganhei num natal uma boneca de pano. Só percebi que fora minha mãe quem fez a boneca anos depois, mesmo mexendo sempre nos retalhos jogados no chão e que se assemelhavam aos da minha boneca.

    Aliás, natal nunca foi uma data comemorada em minha infância, devido às questões financeiras. Assim os presentes sempre vinham em forma de roupas, calçados, cestas básicas e esporadicamente com aquelas bonecas de plástico com cabelos colados, que só a geração dos anos 70 conheceu. Nem por isso, eu os meus irmãos nos traumatizamos, morremos, ficamos doentes ou precisamos de psicólogos por faltas de brinquedos caros ou da moda.  
    Nossos pais fizeram o que podiam para nos dar o melhor natal que poderiam. Nostalgias a parte, o que deve ficar para nossas crianças é que pai e mãe jamais mentem. Equivocam-se! Mas não mentem. E hoje, mais do que falar de Papai Noel, de natal comercial, devemos demonstrar o verdadeiro sentido do natal com atitudes fraternas, representando não só simbolicamente, mas verdadeiramente o Cristo Vivo no nosso semelhante.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

OS FILHOS QUE QUEREMOS


Em qualquer parte do mundo a criança pequena carrega consigo a curiosidade. Quando bem nutrida durante a infância, a curiosidade é capaz de contribuir com o desenvolvimento dos pequenos de forma a estender-se à vida adulta. Um adulto curioso é um adulto sagaz, vivo. Capaz de contribuir com soluções simples e rápidas para os problemas que surgem em seu cotidiano.
A chegada das crianças às escolas cada vez mais cedo deve contar com este quesito, não só por parte dos educadores que convivem com as crianças em creches e/ou pré-escolas, mas também pelos pais que passam pouco tempo com seus filhos devido a jornada incessante de trabalho. É para eles que escrevo estas dicas, que julgo importantes e poderão dar mais qualidade ao tempo que dedicamos aos nossos pequenos:
 ABRACE SEU FILHO: Mais do que encostar um coração no outro, o abraço é uma troca de energia. Exercite, vale a pena! Há, infelizmente pessoas que não gostam de abraçar. Não porque não querem, mas porque nunca foram abraçadas. Exercite! Repito! Pratique com seus filhos esse exercício de amor.
 DIGA QUE AMA: Mesmo para os bebês com poucas horas de vida e mantenha essa dinâmica durante toda a infância de sua criança e se surpreenda com o adolescente que ele se tornará.
 DIGA COMO FOI O SEU DIA: Pergunte aos seu filhos como foi o dia, conte a eles como foi o seu dia. Abra esse canal de diálogo importantíssimo para gerar a confiança, o respeito e a segurança. Organize 5 minutos em sua agenda e faça isso virar uma rotina. Não uma rotina maçante, mas um período esperado e desejado por vocês, no qual você também relembre e conte a eles como foi em sua infância viver situações semelhantes.
 NÃO XINGUE: Nunca fale mal de alguém ou blasfeme perto dos pequenos. Todos temos momentos de ira e por vezes agimos no ímpeto. Cuidado! Somos exemplos.
 ORE COM SEUS FILHOS: independente de religião, cultive o bom hábito de levar seus filhos à escola bíblica, à missa, escola dominical. Realize o exercício do evangelho no lar.
 ABENÇOE: Não há gesto mais lindo do que ver um filho pedir a benção de seus pais. Modo antigo? Ultrapassado? Não! Afirmo que não. Ensine: todas as noites abençoe seus filhos na cama e os receba com bênçãos ao chegar da escola ou de outro lugar.
 SEJA EXEMPLO: Mostre o que é certo e o que é errado por meio de exemplos. Estacionar em fila dupla na frente da escola, não usar ou não cobrar o uso do cinto de segurança pode deixar a criança em contradição, já que na escola aprendem as regras básicas de trânsito e acompanham exemplos contrários em casa, como também andar em moto sem capacete.
 PASSEIE: Vá ao parque, à praças e jardins. Passei com seus filhos. Dinheiro não é tudo! Solte pipa, se possível construa a pipa com ele.
 NÃO DÊ TUDO QUE SEU FILHO PEDE: Há pais que viveram uma infância regrada e hoje são permissíveis e dão aos filhos aquilo que não tiveram. Cuidado! Precisamos ensinar valores e para tal precisamos estar atentos ao que estamos espelhando.
 DIGA NÃO, MAS EXPLIQUE O POR QUÊ: Se o canal de diálogo com vocês já estiver estabelecido com as conversas diárias esta fase será tranquila. Nossas crianças precisam entender o porque tomamos determinadas atitudes.
 DÊ AOS SEUS FILHOS PEQUENAS TAREFAS: Guardar os calçados e brinquedos, jogar o papel do lanche no lixo, organizar a cama ou colocar a roupa no cesto na hora do banho, não é trabalho infantil! É ensinar que tudo tem uma organização e colaborar com o coletivo é regra de civilidade.
 CONVIDE SEU FILHO PARA LAVAR O CARRO;
 TOME BANHO DE MANGUEIRA, BANHO DE CHUVA COM ELES;
 DEIXE-O EXPERIMENTAR A FAZER UM BOLO, A RECORTAR, A COLAR.
Essas não são tarefas só da escola, são pequenos atos que farão do pouco tempo que você tem para estar com seus filhos, maravilhosos instantes.
Estar em constante contato com os trabalhos e rotinas estabelecidos na escola contribui para o bom andamento da criança em ambos ambientes e, aqui reside o segredo de uma educação infantil de qualidade. O trabalho conjunto entre escola e família possibilitará os melhores resultados.

sábado, 20 de dezembro de 2014

MÃE ALFABETIZADORA






Quando eu era criança, pobre, mas pobre mesmo, vivia ao lado da minha mãe que costurava roupas para fora. Jovem ainda, com 3 filhos, pouco estudo e com o esposo doente (meu pai), ela procurava nas costuras dinheiro para manutenção da família.
Tempos difíceis, mas quem não passou por isso? Hoje não quero falar disso, isso verdadeiramente me aborrece. Minha mãe, como disse, teve pouco estudo, pois precisou sair da escola para ajudar sua mãe na criação dos 12 filhos. Sua escolaridade se resume aos primeiros anos escolares. Tempo suficiente para que ela se alfabetizasse. Para cuidar dos filhos e ao mesmo tempo conseguir trabalhar com suas costuras ela foi aos poucos me alfabetizando a sua maneira.
Ela foi uma verdadeira professora, embora não tenha percebido isso. Utilizava coisas do nosso cotidiano, materiais concretos e muita paciência. Lembro-me que ela guardava todos os calendários dos anos anteriores, com os quais ela colava um papelão no fundo (a cola era feita de farinha de trigo com água) e fazia quebra-cabeça para montarmos, que não tinha condições de comprar este e nenhum outro tipo de brinquedo (hoje ditos pedagógicos), para que seus rebentos ocupassem seu tempo. Sem perceber, minha mãe desenvolvia nossa concentração, memória, noções espaciais, enfim, organizações mentais que aos poucos iam se estruturando.
Criava estratégias de ensino com o giz de desenhar no tecido ela escrevia na porta da cozinha as letras do alfabeto. Embora hoje colegas meus de Academia a condenem, ela foi bem tradicional sim! Alfabetizou com dedicação e sabedoria popular, eu e meus irmãos.
Quando fui pra escola, na época com 8 anos, sabia ler e escrever com tranquilidade. Embora não fosse letrada, que letramento é algo que ultrapassa a oralidade, a leitura e a escrita, pois é um exercício efetivo e competente da alfabetização na hora de ler e produzir textos reais em situação de comunicação, enquanto que a alfabetização é um processo pelo qual se adquire a escrita alfabética e a habilidade para ler e escrever. Minha mãe fez além do papel de mãe.
No meu trabalho com crianças em fase de alfabetização conto muito com essa sincronia entre teoria, vista nos bancos acadêmicos e a prática, sentida no chão da fábrica, ou seja na sala de aula. Embora a Academia nos apresente várias linhas teóricas, para que possamos fundamentar nosso trabalho, é na sala de aula que estas se evidenciam. E, para tanto, uma equipe pedagógica coesa e harmônica deve contribuir para que o trabalho com os pequenos aconteça com qualidade. Além desse ponto, o professor/professora deve ser pesquisador contínuo, buscando estar sempre atualizado, principalmente porque a criança que temos hoje em nossa sociedade não é mais a criança criada aos pés máquina de costura de sua mãe. Muitas vezes é criada por terceiros, porque os pais estão ocupados demais, com agenda cheia, com uma rotina interminável de afazeres, tanto para eles, quanto para seus filhos.
Realidade esta muitas vezes vividas por mim e por meus filhos também, não quero aqui mostrar que sou diferente da sociedade que está posta. Mas quero destacar que tenho dois olhares a esse respeito, ou melhor, três, uma como mãe, a segunda como professora e outra como formadora de professores. Vivemos tempos em que os pais precisam trabalhar e deixar seus filhos praticamente o tempo todo longe de seus olhares. E, enquanto professores somos cobrados para executar vários papéis: o de pais, médicos, psicólogos, entre outras funções que o professorrealiza paraformar a criança integral. Enquanto formadora percebo a busca constante de professores pela formação continuada, para dar conta dessa diversidade reunida em sala de aula.
Cabe destacar que esta dinâmica se apresenta para atender aos anseios dessa sociedade em constante ebulição para a qual devemos estar preparados para vivenciar um novo ensinar.