Nossa! Lembro-me silabadamente desta frase, dita por minha filha aos 7 anos de idade, as escondidas no banheiro de casa. Ela não queria que o irmão menor ouvisse nossa conversa, mas diante das contradições vislumbradas na escola chegou a tal constatação e resolveu então me colocar em xeque.Confesso que mantive a tradição de colocar o sapatinho aos pés da árvore, capim para a rena e bolachas com leite para o bom velhinho. Mas meus filhos questionavam inconformados em saber por onde um velho obeso poderia passar e, se a porta ficasse aberta ladrões poderiam adentrar nossa casa e roubar os presentes mesmo antes de abrirmos.Uma geração diferenciada, com um raciocínio lógico e matemático bem mais desenvolvido que os da minha geração. Eu mesma ganhei num natal uma boneca de pano. Só percebi que fora minha mãe quem fez a boneca anos depois, mesmo mexendo sempre nos retalhos jogados no chão e que se assemelhavam aos da minha boneca.Aliás, natal nunca foi uma data comemorada em minha infância, devido às questões financeiras. Assim os presentes sempre vinham em forma de roupas, calçados, cestas básicas e esporadicamente com aquelas bonecas de plástico com cabelos colados, que só a geração dos anos 70 conheceu. Nem por isso, eu os meus irmãos nos traumatizamos, morremos, ficamos doentes ou precisamos de psicólogos por faltas de brinquedos caros ou da moda.
Nossos pais fizeram o que podiam para nos dar o melhor natal que poderiam. Nostalgias a parte, o que deve ficar para nossas crianças é que pai e mãe jamais mentem. Equivocam-se! Mas não mentem. E hoje, mais do que falar de Papai Noel, de natal comercial, devemos demonstrar o verdadeiro sentido do natal com atitudes fraternas, representando não só simbolicamente, mas verdadeiramente o Cristo Vivo no nosso semelhante.

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